A CANÇÃO DO ÁLCOOL

 

 

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Quem pode se igualar a mim? Quem é poderoso como eu? Milhões já fiz fracassar. Eu não respeito posição ou dignidade, idade ou sexo.

Tiro ao jovem a saúde, ao homem a força, à mulher a vergonha.

Desperto as mais escuras fontes do coração humano, como as que produzem a malícia, blasfêmia e impureza.

O que significam todos os tiranos contra mim? Meu dominio extende-se ao mundo antigo e moderno. Exterminei povos inteiros e deixo naufragar, diariamente, milhares na flor de seus anos. Matei mais pessoas que as armas de guerra de todos os tempos.

Faço do homem um mentiroso, um ladrão e até um criminoso. Minha vítima levanta a mão contra pai e mãe, contra esposa e filhos.

Não há lei ou mandamento que eu não faça violar. Encho penitenciárias, prisões, asilos e deixo cair nas ruas os mendigos.

Comigo é tudo engano!

Descoberta a aguardente pensaram que tinham achado a água da vida, mas foi a terrivel água da morte.

A cerveja os tolos chamam de “pão líquido”, não sabendo que dilata o estômago e causa infiltração gordurosa cardiaca.

O vinho chamam o “leite dos adultos”, mas ele leva cedo ao cemitério.Eu prometo alimentar o corpo mas levo-o à ruína. Prometo animar o espirito, mas deixo-o confuso. Prometo alegria e sociabilidade, mas na verdade provoco brigas, atos de violência e terror.

Muitos me usam como remédio, mas eu os torno meus escravos.

Uso um vestido elegante e tenho nomes afamados em todo o mundo. Sei chamar a atenção e agradar os sentidos. Observe as placas coloridas que prometem maravilhas – é tudo engano!

Já viu aqueles que como mortos estão caídos à beira da estrada? Isto é obra minha! Em casa o esperam – ele prometeu vir mais cedo. Pelo menos hoje queria dirigir-se logo após o trabalho para o lar. Seu filho está moribundo. “Somente um aperitivo”, cochichei – e ele me ouviu.

Quando acordar de sua embriaguês seu filho estará morto. Esta criança, desde seu primeiro fôlego, estava envenenada por minha culpa.

A mãe fiz cair, o pai era meu servo.

Você ouve os sons de animal, da boca do homem, ou as brigas daquele bárbaro lá em cima naquela casa? Está vendo aquelas pessoas vacilando com os olhares fixos e vermelhos? Aqueles são meus escravos! Em suas veias arde o desejo, como fogo. Eles precisam beber sempre de novo, e a cada gole aumenta o fogo infernal.

Lá prendem um homem que matou seu companheiro quando jogavam baralho. Isto é obra minha!

Quem é mais forte que eu? Quem pode libertar os meus escravos da minha mão? Ciência ou instrução? Pinte com as cores mais escuras os perigos que o álcool causa. Prove à humanidade que muitos dos suicídios, dos doentes mentais e crimes vem da minha conta e que encurto em um terço a vida em geral.

Não adiantam, a mim não prejudicam. Meu poder é grande! Eu sou servo do poderoso príncipe deste mundo. Por isso faço um trabalho completo. Arruino o corpo e levo a alma para a morte eterna.

Somente a um eu temo! Existe um que me pode tirar o roubo e libertar meus escravos. É Jesus!

Jesus é mais forte que eu e mais forte que meu senhor, que se chama Satanás. Quando alguém se entrega a Jesus nos somos obrigados a deixá-lo livre. Entre Jesus e eu jamais haverá paz!

Eu deixo os homens miseráveis. Ele os torna felizes.

Eu provoco iras, brigas e crimes. Ele enche o coração de paz.

Eu visto meus escravos de farrapos. Ele tira os farrapos e lhes dá vestes brancas, transformando-os em homens respeitados.

Ele traz vida; eu a morte.

Ele dá salvação eterna. Eu atiro meus presos no abismo.

Meu senhor e eu sabemos que nosso tempo é curto. Por isso procuramos atrair o maior úmero possível de vítimas.

(Autor Desconhecido)

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