A CRUZ DE CRISTO

 

cruz

Para viver entre nós, numa cama emprestada,
Ele humilde nasceu
E em jumento emprestado andou toda a estrada
Da montanha à cidade e à cidade desceu

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, bem Suas:
A ninguém as deveu!

Tomou o pão dum menino e o peixinho emprestado
E ambos abençoou:
Fez o povo assentar-se em redor pelo prado:
Foi o pão repartindo e a todos saciou.

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, bem Suas,
De ninguém as tornou.

Num barco emprestado, a vagar de mansinho,
Ele pôs-se a ensinar.
O pardal tem sua casa, a andorinha seu ninho…
Para Ter Seu descanso, Ele nem teve lar!

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
De ninguém foi tomar
Eram Suas, bem Suas.

A caminho da tumba, em salão emprestado,
Um jantar celebrou.
Foi em morto envolvido em lençol emprestado
E em sepulcro emprestado, afinal repousou.

Mas a cruz dolorosa
E a coroa espinhosa
Eram Suas, Bem Suas:
De ninguém as tomou!

Mas o berço entregou,
Entregou o jumentinho,
Devolveu casa e barco,
E os tecidos de linho
Ressurgindo, vazio o sepulcro deixou.

Mas as vestes de luz
E as marcas da cruz
Essas eram bem Suas
E consigo as levou!

(Traduzida por Isaque Nicolau Salum)

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