A HISTÓRIA DO SAPATEIRO

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Cedo na véspera de Natal em uma pequena aldeia da Rússia, Papa Panov pôs de lado suas ferramentas de sapateiro e saiu. Os sons do Natal enchiam o ar: cânticos, crianças sorridentes, emoção e alegria.

Papa Panov suspirou. Antes de sua esposa falecer e de seus filhos cres¬cerem e se afastarem para longe, o natal tinha sido especial. Agora ele vivia sozinho, sempre fazendo sapatos, fazendo sapatos.

Papa Panov entrou em casa, fechou a porta, e pegou a grande Bí¬blia. Ele leu como Maria e José procuraram diligentemente um lugar para ficar. “Se tão-somente eles tivessem vindo aqui”, exclamou ele, “eu lhes teria dado alegremente minha cama.”

Ele continuou lendo, maravilhando-se ante os maravilhosos presen¬tes que os Magos levaram para Jesus. “Não tenho nenhum presente”, disse ele.

Então o seu rosto se iluminou com uma ideia. Tirou de uma caixa empoeirada um pequenino par de sapatos de couro, o melhor que ele tinha feito. “Eu deveria dar-Lhe este”, disse ele.

Naquela noite Papa Panov sonhou que Jesus vinha ao seu humilde lar e dizia: “Você tem desejado frequentemente que Eu viesse. Amanhã Eu virei três vezes. Mas preste muita atenção, porque não lhe direi quem sou.”

Papa Panov acordou desapontado porque tudo não passara de um sonho. “Ainda assim”, disse ele, “hoje é o Dia de Natal. Farei de conta que o meu sonho é real. Como viria Jesus? Como uma criancinha? Ou como um homem adulto, um carpinteiro, o Filho de Deus?” Ele deve¬ria fazer como disse o sonho e observar cuidadosamente.

Assim Papa Panov limpou e limpou sua pequena casa até que ela ficou brilhando. Mas a rua continuava deserta no úmido e cortante frio. Só passou o cansado varredor de ruas.

Papa Panov abriu amplamente a porta.

— Entre, entre — disse ele ao varredor de ruas. — Tenho uma bebida quente que irá aquecê-lo. — O homem entrou e olhou em redor para a sala que brilhava de tão limpa.

Disse-lhe Papa Panov: — Tive um sonho. Jesus disse que viria hoje.

— Espero que sim — disse o varredor. — Você hoje me confortou.

Quando ele partiu, Papa Panov pôs sopa de repolho no fogão e olhou outra vez a rua de um lado para outro. Apareceu somente uma moça cansada carregando um bebê.

— Entre, entre — disse Papa Panov. — Tenho comida quente. E vou aquecer o leite para o bebê — como, ele não tem sapatos! Espere. — Papa Panov foi depressa ao armário. — Experimente este.

— Não tenho dinheiro — respondeu a menina.

— Isto não importa. — O velho sapateiro ajustou os lindos sapatos nos pequeninos pés frios. Ele os alimentou e os levou até à porta. Ao despedir-se deles, indagou se Jesus ainda viria, estava ficando tão tarde.

Mais tarde um par de mendigos descia a rua. Papa Panov os recebeu.

— Aqui — disse ele aos pobres pedintes — esperem aqui um minuto. — Ele trouxe grandes pedaços de pão e deu a eles.

Desceu a noite. Jesus não tinha vindo. Seu sonho tinha sido só aquilo — apenas um sonho. Papa Panov se arrastou para a cama, triste e sentindo-se muito solitário.

Subitamente uma voz suave perguntou:

— Você não Me reconheceu quando Eu vim?

— Quem és Tu? — perguntou chorando Papa Panov. A voz de Jesus respondeu:

— Você Me aqueceu, você Me alimentou, você Me deu sapatos, você Me deu pão. Vim hoje a você em cada um daqueles a quem você ajudou.

O coração de Papa Panov quase se rompeu de alegria.

— Então Tu vieste, afinal — disse ele.

“E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Mat 25:40

Reconheceremos a Jesus quando Ele vier a nós necessitando de ajuda!

( Condensação do conto de Leon Tolstoy, “Papa Panov’s Special Christmas”)

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