A PARÁBOLA DO LEÃO E O OVO DE PARDAL

 

 

ninho

Era tarde e dona Pardal cansada, voltava de mais um voo.

O vento soprava forte e balançava vigorosamente os galhos das árvores da Floresta da Curva das Águas.

Por coincidência, azar ou sorte, talvez, exatamente quando se aproximava de seu ninho, viu o vento lançar para bem longe, com parte dele o seu único ovo; seu único filho; sua última alegria, ainda que em promessa.

Em desespero ainda tentou alcança-lo mais não teve sucesso. A força dos ventos apressou a queda.

Seu coração tremia. Foi quando ela viu que um monte de mato seco, sobre o qual caiu seu tesouro, tendo amortecida a queda.

Aliviada, a mãe Pardal suspirou e desceu para busca-lo.

Estava prestes a alcançá-lo quando apareceu a “velha raposa da calda vermelha”. – um animal sagaz e odiado pela floresta; sempre sozinha, buscando tudo que lhe pudesse servir de alimento.

Dona Pardal estava em pânico. Lamentava bastante por parecer não ter sorte. Seu coração, porém, já havia decidido: Morreria tentando salvar seu bebê.

Tudo parecia perdido. Então eles sentiram um grande tremor no chão, que de tão forte fazia agitar o pó da terra. Soava como o andar gracioso de um animal que parecia ter quatro patas.

Não demorou e pode se ver o vulto. Ele era grande e sua silhueta foi se formando entre as árvores da floresta escura. E mesmo sob pouca luz, seu pelo tinha um brilho explêndido, como coisa própria e natural.

Quando ele surgiu por completo, a velha raposa de tão assustada, esqueceu completamente seu intento e fugiu, pela mesma escuridão que sempre a protegeu.

A figura majestosa impressionava. Era o Leão de Basileia. Senhor de todas as terras que estão ao alcance de todos os olhos.

Dona Pardal parecia não acreditar no que via, pois nunca o havia encontrado. Só ouvira falar dele.  Desde os tempos em que era filhote, pelos pais dos pais de seus pais.  Mas agora seus olhos podiam vê-lo. Ele estava ali, diante dela; tendo aos seus pés seu frágil tesouro perdido – o pequeno ovo que guardava seu filho.

‒ Venha pegar seu filhote! Disse o Leão, enquanto atento olhava para ele.

A mãe amedrontada viu que seu olhar era penetrante. Perscrutador. Parecia ir além da casca frágil do ovo. A sensação era de que Ele parecia ver seu futuro, seus dias, seus amores, seus temores, suas dores.

‒ Venha pegar seu filhote! Repetiu ele.

Dona Pardal aproximou-se com cuidado e sob seu olhar atento acolheu o frágil ovo entre as asas.

‒ Como deverei chama-lo? Que nome devo dar a meu filho? Perguntou ela.

‒ Ele sorriu e virando foi se afastando e sumindo entre as árvores.

‒ Como deverei chama-lo? Que nome darei à criança? Perguntou ela mais uma vez.

‒ Chame-o Pardal. Como uma coisa que é sem valor, Mas que no entanto, é muito amado.

E dito isso, deu um forte rugido. Naqueles dias ninguém mais o viu.

Você e eu temos algo em comum com esta estória. Somos ao mesmo tempo a mãe Pardal frustrada pelas situações imprevisíveis da vida que sem aviso destroem nossos sonhos,  e o pobre filhote condenado a morrer antes de nascer.

Mas o Leão da Tribo de Judá nos liberta da velha raposa e nos reconstrói a esperança.

Ainda que frágeis e insignificantes, somos amados. Muito amados. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16

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