A PIOR INGRATIDÃO

 

 

gaiolaaberta

Conta-se que certa vez, o dono de uma fazenda encontrou um ninho de passarinho caprichosamente construído entre as ripas da varanda de sua casa. Era um lindo ninho.

Cuidadosamente observava-o dia após dia, tomando todo cuidado para não assustar as aves.

Quando percebeu que os filhotes já estavam emplumados, mas ainda pequenos e incapazes de voar, o fazendeiro, aproveitando a calma da noite, transferiu com cautela o tal ninho para uma ampla gaiola, cuidando para que, embora dentro das grades, a porta permanecesse sempre aberta.

Com surpresa percebeu que embora o ninho estivesse em ambiente estranho e hostil aos passarinhos, os pais, várias vezes ao dia entravam na gaiola para alimenta-los.

Rapidamente o tempo foi passando. E, tão logo os tenros filhotes apresentaram o aspecto de poderem experimentar vida autônoma, o fazendeiro os libertou; contudo, teve o cuidado prévio de capturar, em uma arapuca, os pais, colocando-os na gaiola vazia dos filhotes.

Mais surpreso ainda que da primeira vez, ficou ao perceber que, incontinente, esses filhotes voaram para lugares distantes. Em vão, o curioso fazendeiro esperou vários dias que os filhotes voltassem para alimentar os pais, ou pelo menos, para fazer-lhes uma visita carinhosa. Isto porém nunca aconteceu. Ao contrário, deixaram-nos abandonados à sua própria sorte!

Não é isto o que realmente, muitas vezes acontece no mundo dos humanos? Quem saberá dizer quantos são os milhares e milhares de filhos ingratos e de coração endurecido que têm abandonado os seus idosos e alquebrados pais, pobres, enfermos e inválidos?

Já dizia: “Ter um filho ingrato é mais doloroso do que a mordida de uma serpente!”

Certa vez, isso há muitos anos, em um funeral de um pai de família, ouvi o pastor dizer ao filho mais velho para que se aproximasse e desse o ósculo, o último beijo no pai que ia descer à campa fria. O filho, que até então não chorara a partida do pai, relutante, aproximou-se, beijou-o e a seguir desatou numa crise de choro, um choro incontido, desesperado e amargo. Perguntaram-lhe o porquê daquilo, ao que ele respondeu: “Esse não é o último beijo, mas sim o único em toda a minha vida…”.

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.”(Malaquias 4:5-6)

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