A TAREFA

 

 

anel

Um jovem escalava lentamente um monte; um passo de cada vez. Cabisbaixo, sua postura parecia indicar que algo o incomodava. Talvez estivesse solitário ou desanimado. Ele estava indo buscar orientação de um homem sábio que morava no monte, nos arredores da cidade.

Ao entrar na casa do conselheiro, o jovem o encontrou lendo, envolvido em seus pensamentos.

– “Com licença, Senhor”, disse o jovem um pouco hesitante.

O idoso homem ergueu seus olhos. Timidamente, com um gesto cortês e voz angustiada, o rapaz disse:

– “Tenho alguns sonhos que creio poder realizar, mas ninguém acredita que tenho a habilidade para isso. As pessoas não me dão valor”.

O ancião continuou sua leitura. Após um momento, disse:

– “Antes de poder dar-lhe algum conselho, preciso de seu auxílio. Você pode me ajudar?”

Um pouco desapontado por ter suas próprias necessidades ignoradas, o rapaz, não obstante, respondeu:

– “Vou tentar, senhor”.

O homem se pôs em pé e alongando-se um pouco, disse:

– “Talvez eu precise pagar uma grande dívida futuramente, e, para isso necessitarei de dinheiro. Aqui está meu anel de ouro. Leve-o para o mercado e descubra quanto posso ganhar por ele, mas não aceite menos de cinco moedas de ouro. L’`está o meu cavalo. Pode ir!”

O jovem segurou fortemente o anel e, chegando ao mercado, foi de banca em banca oferecendo o anel em troca de dinheiro.

O vendedor de frutas o ignorou. O vendedor de roupas disse-lhe que não estava interessado. O fazendeiro que estava vendendo galinhas, continuou negociando com com um cliente e mandou o jovem embora.

Finalmente, o rapaz chegou até o vendedor de porcos. Depois de examinar o anel por uns instantes com suas mãos sujas, disse com sorriso malicioso: Diga ao proprietário do anel que estou disposto a dar cinco moedas de bronze por ele.”

– “Cumpri a tarefa que me deu, senhor”, disse o jovem quando voltou. – “Ninguém no mercado está disposto a dar cinco moedas de ouro pelo seu lindo anel”.

– “Tudo bem”, respondeu o sábio. “Agora sabemos quão pouco valor as pessoas do mercado dão a este anel. Vá ao joalheiro da cidade e mostre-lhe o anel”.

Quando o joalheiro viu o anel de ouro, rapidamente pôs-se de pé e usou um lenço de seda para segurá-lo com cuidado. Pô-lo sob uma lâmpada, examinou-o detalhadamente com uma lente de aumento.

-“Uma obra de arte”, sussurrou. – “Se o dono do anel está com muita pressa, compro-o, eu mesmo, por 10 moedas de ouro. Mas, se ele me der tempo para exibir toda a beleza desse anel, poderei achar um cliente rico disposto a pagar pelo menos 20 moedas de ouro por ele”.

O sábio escutou atento o relato que o jovem alegremente trouxe, e, então lhe disse:

– “Não deixe o ignorante determinar quanto vale algo do qual nada conhece. Ouça apenas a avaliação do especialista habilitado – aquele que pode reconhecer o verdadeiro valor de uma obra de arte”.

E, com um sorriso, o homem sábio colocou o anel de ouro de volta em seu dedo e despediu o jovem.

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