CONFISSÕES DE NATAL

 

natal2

Senhor,
tão absorvida estive
em cuidar daqueles que me entregaste,
que me esqueci de preparar o Teu
presente de aniversário.

Agora, aqui estou, as mãos vazias,
calosidades e manchas,
indeléveis algumas.
O sofrimento que colocaste em meu caminho
atingiram-me,
marcaram-me,
fizeram-me sofrer.

Dei-lhes meu tempo,
minha força,
meus bens e meu amor.

Mas, agora, Senhor, quando o mundo Te vê
pequeno e dependente no presépio de Belém,
sinto, também, um grande desejo de
trazer-Te um presente.

Sinto-me como no tempo de criança
quando mamãe e papai faziam anos:
triste e alegre.
Alegre por ser dia de festa,
triste porque nada possuía além
de algumas moedas de metal
no pequeno cofre de madeira,
e, então, eu não podia transformar
em algo concreto o meu amor.

E. agora, no Teu dia, Senhor,
nem mesmo resta o velho cofre.
Apenas esta vontade de Te agradar,
de dizer que Te amo,
de pedir perdão pelas mãos vazias.

Se ao menos pudesse trazer-Te
todos os sorrisos que vi nascer;
todas as lágrimas que desapareceram
de rostos cansados
porque ouviram falar de Ti.
Todas as flores que recebi
porque estava executando uma ordem Tua …
Mas, não.
Estas pequenas preciosidades transformaram-se
em saudade e gratidão.
E sentimentos não podem ser trazidos
em caixas de presente,
amarradas com cordões coloridos.

Por isso é que, no Teu dia de festa,
duas mãos cansadas se erguem
para pedir que as enchas de novas bênçãos
e que lhes dês novas oportunidades de servir.

Pois já que nada tenho para oferecer-Te,
quero sair outra vez proclamando Teu poder,
a Tua bondade.

Quero ser aquela que leva o recado,
que executa tarefas humildes,
que procura retribuir com trabalho servil
a bênção de ser admitida
entre aqueles que seguem a Deus.

(Myrtes Mathias)

 

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