O CARNAVAL

 

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Festa sem Deus! Repúdio da moral. Festa de brilho e gozo irracional.
Festa ruidosa do caminho largo, de início doce, mas de fim amargo! …
Falsa resposta à voz do coração, de quem não frui de Deus a comunhão!
Festa nefanda, de plebeus e nobres, que iguala nas paixões ricos e pobres.
Festa pagã. De Cristo a negação. Dos valores morais, profanação.
Festa fantasiada de cultura, mas que no fundo é mera fonte impura,
Ressurreição das velhas saturnais, das torpes e indecentes bacanais.
Festa da droga e da bebida forte, que leva ao desatino e até à morte.
De Vênus, tem o culto sedutor que tudo sacrifica em seu fulgor,
Por confundir licença e liberdade, nos aconchegos da promiscuidade;
Que deixa livre a carne no seu pasto: o sensualismo aberto mais nefasto!
Loucura coletiva e inglória, que deixa laivos tristes na memória;
Festa da trégua do pudor humano, do sexo desbragado e insano,
Da sordidez, do gozo sem medida, onde a pura inocência é seduzida,
Onde o perfume esconde as podridões, no desenfreio louco das paixões;
Onde a esposa honesta perde o siso, e o cavalheiro austero, o são juízo;
Onde formosas damas, pelas ruas, exibem, saltitando, as formas nuas,
E no seu passo louco e bamboleante, em convulsão ruidosa e degradante,
Ouvem as chufas e as provocações de homens sem pejo, rudes rufiões.

Tirando a máscara, muitos, nesses dias, revelam, pelas torpes alegrias,
A vida que eles levam mascarados: com a máscara de homens recatados …

Carnaval! Deplorável carnaval … Que ímpia festa, que tremendo mal!

(Jerônimo Gueiros – da Academia Pernambucana de Letras)

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