O CONTO DOS BURROS

 

 

burro

Uma vez, num pequeno e distante vilarejo, apareceu um homem anunciando que compraria burros por R$100,00 cada.

Como havia muitos burros na região, os aldeões iniciaram a caçada.

O homem comprou centenas de burros a R$100,00, e como os aldeões diminuíram o esforço na caça, o homem anunciou que pagaria R$200,00 por cada burro.

Os aldeões foram novamente à caça, mas logo os burros foram escasseando e aos poucos desistiram da busca.

A oferta aumentou então para R$250,00 e a quantidade de burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse em caçá-los.

O homem então anunciou que compraria cada burro por R$500,00! Como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos animais.

Na ausência do comerciante, seu assistente propôs aos habitantes da aldeia:

– “Sabem os burros que o homem comprou de vocês? Eu posso vendê-los a vocês por R$350,00 cada. Quando o homem voltar da cidade, vocês vendem a ele pelos R$500,00 que ele oferece e ganham uma boa bolada – R$ 150,00 cada!”.

Num frenesi, descontrolados pela ambição de ganho fácil, os aldeões pegaram suas economias e compraram todos os burros do assistente.

Os dias se passaram e eles nunca mais viram, nem o homem, nem o seu assistente, somente burros por todos os lados.

Entendeu agora como funciona a economia capitalista e mais especificamente o mercado de ações?

O segredo do sucesso do capitalismo é sua capacidade de pegar uma das emoções mais poderosas da humanidade – a ganância – e dominar essa emoção para impulsionar o progresso econômico.

Mas a ganância, por sua própria natureza, é sedutora. Ela sempre quer mais, um pouco mais, só um pouquinho mais, por favor.

O capitalismo funciona tirando o melhor da ganância humana. O truque é dar à ganância corda suficiente para colher seus benefícios ao mesmo tempo em que se reduz ao mínimo seus perigos. Nesse sentido, uma economia movida pela ganância é como um submarino nuclear. Ambos são impulsionados por uma fonte de energia potencialmente ilimitada, mas destrutiva.

E a ganância pode nos convencer a racionalizar as coisas que não podem, ou não devem, ser racionalizadas.

Se não for controlada, a ganância sobrepuja qualquer senso de proporção, justeza ou moralidade.

Paulo chama a avareza de idolatria: “

Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria.” (Cl.3:5). A razão do apóstolo ver como idolatria o apego aos bens materiais, sobretudo ao dinheiro, é que isto faz a pessoa amá-lo como a um deus. Torna-se escrava da riqueza.

Desde o princípio, Jesus alertou os discípulos para este perigo já no Sermão da Montanha: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedica-se a um e desprezará o outro. Não podeis servi a Deus e a riqueza” (Mt 6:24).

O que importa é que a pessoa não seja escrava do dinheiro e dos bens. É claro que todos nós precisamos de dinheiro; o próprio Jesus tinha um “tesoureiro” no grupo dos apóstolos. São Paulo diz a Timóteo que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). Veja, portanto, que o mal não é o dinheiro em si, mas o “amor” a ele; isto é, o apego desordenado que faz a pessoa buscá-lo como um fim, não como um meio.

“Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terão herança no reino de Cristo e de Deus” (Ef 5:5). É importante notar que não são apenas os ricos que podem se tornar avarentos, embora sejam mais levados a isto. Não é raro encontrar também pobre avarento. Por isso, no mesmo Sermão da Montanha, Jesus alerta: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam” (Mt 6,19-20).

Se Jesus recomenda “não ajuntar tesouros na terra”, é porque esta riqueza e segurança são ilusórias e não podem nos satisfazer por mais que o mundo nos diga que sim.

É justo e necessário ter o dinheiro que precisamos para nossas despesas. O próprio Jesus manda pedir ao Pai, todos os dias, “o pão nosso de cada dia”; o que se condena é a obsessão pelo dinheiro, que faz com que a pessoa sacrifique no altar desse “deus” os verdadeiros valores.

Por causa do dinheiro muitos aceitam praticar a mentira, a falsidade e a fraude. Quantos produtos falsificados! Quantos quilos que só possuem 900 gramas! Quanta enganação e trapaças nos negócios! Não é verdade que mesmo entre os cristãos, tantas vezes um engana o outro, o “passa para trás” em algum negócio, compra e venda?

Poderemos constatar que toda a corrupção, tráfico de drogas, armas, crimes, prostituição, comércio de mulheres, poluição da terra, do ar e da água tem, por detrás, a sede pelo dinheiro.

Por amor ao dinheiro muitos pais perdem os próprios filhos e muitos casamentos acabam. Por causa da ganância vemos o mundo numa situação de grande injustiça e miséria para muitos.

“A ganância é uma cova sem fundo, que esvazia a pessoa em um esforço infinito para satisfazer a necessidade, sem nunca alcançar satisfação.” (Erich Fromm)

“Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas” (Lc 12:15).
Siga este conselho divino. Não caia no conto dos burros!

Leia também