OS DEZ MANDAMENTOS REVISADOS PELO PÓS MODERNISMO

 

mandamentos

A Lei de Deus segundo a visão pós-moderna:

1º Mandamento:

“Não terás outros deuses diante de mim”: cada qual pode ter quantos deuses quiser, desde que respeite os deuses alheios, e que a divindade eleita seja inserida em seu contexto comunitário; nenhum deus será imposto a outrem, porque a tolerância é um valor preponderante, a tal ponto de impedir que se faça julgamentos morais. No fim das contas, cada indivíduo acaba servindo não a um deus, mas fazendo uso das divindades disponíveis no mercado religioso para que elas a sirvam, auxiliando em suas necessidades.

 

2º Mandamento:

“Não farás para ti imagem de escultura”: lagos já serviram de espelho; depois, as pessoas se penteavam em frente a metais polidos. Daí vieram os espelhos de vidro. Hoje, com a popularização da câmera digital, é possível registrar, difundir e editar a própria imagem. A imagem precede o valor na pós-modernidade. Aliás, a imagem é geradora e gestora de valores, criando aspirações individuais e coletivas. A iconografia tornou-se iconolatria.

 

3º Mandamento:

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”: eis o período quando os deuses não representam absolutos, pois devido ao aspecto irreverente da pós-modernidade (visível através do recurso da colagem nas artes visuais, por exemplo), a junção mística entre o sagrado e o profano é mais do que desejável, além de ser encarada sem reservas. O nome do Deus cristão, presente no libreto das cantatas de Haendel hoje é entoado nas estrofes de pagodes, hard-rocks, bate-estacas e o que mais possa fazer os quadris mexerem. Sem mencionarmos a conduta moral descompromissada com a mensagem bíblica daqueles que se acreditam cristãos.

 

4º Mandamento:

“Lembra-te do dia de sábado”: numa época em que se colhem frutos variados da revolução científica, a verdade histórica cristã de uma criação em sete dias literais ficou relegada a um mito, na melhor das hipóteses. A própria adoração perdeu seu conteúdo histórico e seu programa normativo ficou empobrecido. Na prática, quem autentifica a adoração é o próprio adorador, escolhendo a forma e os dias em que deseja adorar, e até quem ou o que será alvo de sua adoração.

5º Mandamento:

“Honra teu pai e tua mãe”: atualmente, a família mal sobrevive aos fatores resultantes da revolução sexual, como a desagregação de seus membros, as reivindicações por parte de homossexuais a rés da união civil, o movimento feminista, a proliferação de uma sexualidade hedonista, etc. Sendo assim, torna-se inviável honrar o que se acha dissolvido e em processo de solvência e desintegração.

 

6º Mandamento:

“Não matarás”: até mesmo um mandamento universal vem sendo objeto de profundos debates, no que diz respeito às implicações do direito à preservação da vida. Questões bioéticas (aborto, células-tronco, etc.) e envolvendo a pena capital, junto com a polêmica sobre a eutanásia, revelar-se-iam espectros do fastio com a própria existência, em face da perda de sentido para a vida?

 

7º Mandamento:

“Não adulterarás”: quando a liberdade de Rousseau passou a vigorar no Ocidente, implicou na abertura para uma nova busca, orientada pelo prazer. Consequentemente, nada é moralmente errado, desde que traga prazer. Fica difícil de controlar o acesso à pornografia por adolescentes ou combater a pedofilia, uma vez que a sociedade perdeu o senso de censura quando o assunto é prazer; pedófilos, por exemplo, estariam levando as premissas hodiernas aos últimos resultados lógicos. Portanto, como condená-los se a base moral da sociedade é a mesma seguida por eles? O que dizer a maridos adúlteros, se a própria atitude deles é incentivada e justificada pelos meios de comunicação?

 

8º Mandamento:

“Não furtarás”: dentro de uma ética situacionista, bens, ideias e oportunidades são avidamente roubados, ainda mais quando não se tem meios honestos de adquiri-los; a demanda pelo sucesso material é tão incisiva que “obriga” os desfavorecidos a buscar rotas alternativas para compensar sua desqualificação, nem que isso se dê pela ilegalidade.

 

9º Mandamento:

“Não dirás falso testemunho”: a verdade se tornou um artigo maleável, num mundo que admite a coexistência de verdades customizadas (e axiologicamente excludentes). Nessas circunstâncias, a falta de verdade anula a possibilidade de haver mentira, sendo a definição rigorosa de mentira uma não-verdade. Perde-se, assim, a discriminação do que é falso ou verdadeiro.

 

10º Mandamento:

“Não cobiçarás as coisas alheias” (bens, cônjuges, etc.): uma vez que o consumo proporciona prazer e o exercício da capacidade de escolha, tem importância total no pós-modernismo, acabando por definir também a identidade e valor individual. O consumismo, enquanto comportamento do século 21, decorre do desejo cobiçoso, no qual o indivíduo procura se identificar com determinado grupo social através da aquisição dos mesmos bens de consumo, uso dos mesmos serviços e imagens exteriores semelhantes. A cobiça é, desse prisma, elemento primordial na corrida por pertencer, característica de nosso tempo.

 

(http://questaodeconfianca.blogspot.com/)

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