SERMÃO FALSIFICADO

 

beijaflor

Com ar ligeiro e sedutor,
Um pequeno beija-flor,
Por carência ou ousadia,
Resolveu naquele dia,
Bem na hora de adorar,
Nossa igreja visitar.

Com seu bico longo e fino,
Ouvidando o som do hino
Que se erguia em louvor,
Foi beijando cada flor
Arranjada com beleza
Junto ao púlpito da igreja.

Sendo o vaso atraente,
Acharia certamente
Nele o néctar precioso,
Que ligeiro e ansioso,
Sem mais nada desejar,
Foi no templo procurar.

Em seu vôo inocente,
Cada canto do ambiente,
Com cuidado ia explorando,.
Ansioso, antecipando,
A recompensa da procura:
Muita seiva rica e pura.

Mas o pássaro, coitado,
Ansioso e já cansado
Desta vez voltou com fome
Pois a flor só tinha nome.
Vil promessa e mais nada.
Era flor falsificada.

Ao pregar naquela hora,
Vendo a ave ir embora,
Meditei solenemente:
No auditório, quanta gente,
Como a ave iludida,
Clama pelo pão da vida!

Muitas vezes vão embora
Pela vida, mundo afora,
Tão vazias e com fome.
Pois de Deus se usa o nome
Mas o tema que é pregado
É sermão falsificado!

(Carlos R. Alvarenga – baseado em fato real ocorrido em 17/08/2013 na IASD Central de Presidente Epitácio)

(Carlos R. Alvarenga – baseado em fato real ocorrido em 17/08/2013 na IASD Central de Presidente Epitácio)

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